Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Junho 02 2010

ROSAS PARA EUGÉNIO DE ANDRADE
 

As mesmas que lhe ofereci aos 80 anos!
Este era o mote do homenageado... (por intermédio do Dr. Joaquim Montezuma de Carvalho):

 "Se não for para arder, uma rosa no inverno de que serve?"

 Eugénio de Andrade

  

Rosa breve 
 
Uma rosa voou breve
pousou num floco de neve,
porque quis morrer assim...

Mas o cristal se desfez
e a rosa renasceu... 

É roseiral infinito
que floresce todo o ano. 

Todas as flores merecem
uma nova Primavera. 

Rosas todo o ano

As rosas são todo o ano
e bebem flocos de neve... 

Vem o fogo e os aquece
ficando a alva planície
plena de flores silvestres.

Os poetas ali bebem,
Castália, copos de orgia... 

Não há rosas todo o ano?  

Rosa de Inverno

Oh! minha rosa de Inverno
que tens vida todo o ano: 

Quero-te no meu jardim,
na campa da minha mãe,
no seio da minha amada!

 

Rosa desnuda

Desnudei a minha rosa,
nua ficou, alva e rota.

Casei-a com neve fina,
de frio morreu, coitada. 

Mas o botão fez-se flor
com alma de concubina...

Tudo e todos amou,
o sol de inverno raiou... 

A rosa ficou tão linda!

Rosa não tem idade

Ser rosa é não ter idade,
é ser flor, fruto, semente,
fogo em floco de neve,
pétala, estigma, gente.

É vida sob o orvalho,
é urze ou torga nascente.
 
O amor da rosa

Às vezes
uma rosa não é nada
no Inverno, vendavais... 

Mas basta a pétala ardente,
gineceu, estigma quente,
e os flocos se incendeiam...

Dos campos

                      brotam trigais!

  •  
    •  
      •   joaquim evónio
      • 

(Publicado no "Primeiro de Janeiro", Porto, 13 Fev 2003)

 

 

(colocado por Maria Ivone Vairinho)

publicado por appoetas às 03:32

Abril 06 2010

 

JOAQUIM EVÓNIO, ASSOCIADO DA APP, QUASE SEMPRE PRESENTE NOS NOSSOS EVENTOS EM LISBOA, HOMEM DE GRANDE CULTURA E COM EXCELENTE PODER DE COMUNICAÇÃO, VAI TRANSFORMAR ESTE ENCONTRO NO PALÁCIO GALVEIAS EM ALGO VERDADEIRAMENTE MEMORÁVEL.

UM ABRAÇO

MARIA IVONE VAIRINHO

 

 

publicado por appoetas às 03:16

Abril 01 2010
JOAQUIM EVÓNIO, associado da APP, Homem de Cultura e BRILHANTE COMUNICADOR, vai estar no Palácio Galveias, no dia 6 de Abril, às 19h30.
NÃO FALTE!
  
Conto de JOAQUIM EVÓNIO, do livro "SOMBRA DE CLAVE DE SOL" (2.ª edição) , apresentado no dia 27 de Março de 2010, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora, com a presença do Dr. António Moreira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Amadora e da Dra. Cecília Neves, Directora da Biblioteca.
  

 

 

SUICÍDIO
 Já tinha a pistola apontada ao meu cérebro vazio. Eram quatro horas da madrugada e a vigília fazia‑me cerrar os olhos fatigados.

O dia anterior não tinha corrido nem melhor nem pior do que os outros. A única diferença era esta espécie de chamamento para a grande viagem, corte definitivo com a rotina e a banalidade dos acontecimentos quotidianos, ainda mais insuportáveis quando orquestrados, de forma doentia e hiperbólica, pela rádio e pela televisão.

A ideia de Deus, ou de religião, não tinha lugar em qualquer escaninho dos meus sentimentos ou pensamentos. Aliás, o que me ocorria com mais frequência era que o Homem, a certa altura da sua presença na Terra, cansado de pensar, inventara Deus, tradução antropomórfica da incapacidade que sentia por não compreender os fenómenos naturais, às vezes assustadores, que se lhe deparavam. Essa crença multiplicara‑se de forma diversificada e até divergente, acentuando a falta de confiança em si próprio e apelando para uma entidade superior capaz de alterar o rumo dos acontecimentos para satisfazer os seus pequenos e grandes egoísmos.

Era precisamente contra esse tipo de superstição que me considerava vacinado. Sabia não existir essa capacidade, ou possibilidade, e que nada podia haver para além da vida terrena em que vegetava.. Já o verificara pessoalmente, durante várias anestesias gerais ou através de profunda e lúcida meditação. Como uma vez me confessara um amigo a lucidez é inimiga da felicidade. E do outro lado da cortina, aquele que a nossa razão ainda não consegue abarcar devido à sua insuficiência actual, há apenas uma grande tranquilidade, ausência leve como um sonho bom.

Pensei em várias formas alternativas de transitar do efémero para o repouso perpétuo. A História e os noticiários estavam cheios dos mais caprichosos exemplos, do veneno ao enforcamento, da simples injecção à inalação breve do deletério monóxido de carbono.

Nenhuma delas, no entanto, se coadunava com a expressão viril da minha suposta personalidade. Morrer, sim, mas salvaguardando a dignidade da memória. O modus faciendi tinha de implicar uma arma de fogo. E ali estava ela à mão de semear, pronta a funcionar no silêncio da noite calma e fagueira da Primavera precoce e cheia de promessas para quem por aqui ficasse.

A retrospectiva da minha vida era um filme vertiginoso a rodar em tresloucado écran de computador e as ideias brotavam com uma velocidade de que só o pensamento era capaz. Dentre todas, uma surgiu que cintilou em zoom e me fez pousar a pistola, acendendo calmamente um cigarro retemperador: mas que mal me fizeram os vizinhos para os acordar a uma hora destas?

 

Joaquim Evónio

 

 

  
  
(colocado por Maria Ivone Vairinho)
publicado por appoetas às 20:33

Dezembro 27 2009

 

Desencanto de Natal
 
Nasceram crenças.
Edificaram-se religiões, qual delas a mais verdadeira.
Panaceias para a solução dos problemas e insuficiências do Homem.
Do belicismo conceptual ou pragmático a que se devotaram, foram germinando a partir das sementes do medo ou da ignorância, em coexistência pacífica com laivos de idolatria e superstição.
Os profetas anteciparam o surgimento de messias, presenças sagradas no seio do mais profano caos. À descontinuidade do espaço juntara-se a descontinuidade do tempo.
A boa-nova propaga-se e incendeia esperanças: - Vai nascer o salvador da Humanidade.
Nasceu. Nasceram. Criados à imagem e semelhança do Homem situado na sua conjuntura, reforço endogâmico propiciador de ferozes xenofobias.
Em nome da verdade, sempre em nome da verdade.
Aos ídolos e deuses antropomórficos sucederam seres perfeitos e inatingíveis, omnipresentes e omniscientes.
Nem por isso a convivência se tornou mais pacífica
Fizeram-se guerras, continua e continuará a combater-se: Caim não desiste de matar Abel.
Escolhamos um pedaço roto deste planeta degradado. Além de se matarem uns aos outros, seres insensatos também querem destruir a sua aldeia, a sua morada. Como se não bastasse a fúria dos elementos naturais.
Da terra destroçada erguem-se gritos de dor, espreitam despojos humanos por entre lama sangrenta. Através do calor fumegante, assistimos ao desfile dos mortos e estropiados, mãos sem mãos que apontam para nada, ossos rubros de fantasmas em lenta procissão nas sombras da madrugada.
Com eles se cruzam os predadores, dentes de aço cerrados em sulfurosa excitação. Vão à caça dos irmãos que até agora conseguiram inexplicavelmente sobreviver.
Deixaram, para trás ou pelo caminho, crianças amputadas de inocência sem se esquecerem de lhes encher de fome as barrigas opadas, sem lhes mitigar a sede ou afugentar os insectos repelentes que nelas se saciam.
Mais além, apregoarão que tudo se fez pela paz, pela liberdade. E vitoriarão a santidade dos salvadores que os inspiraram contra a rebelião dos que apenas acreditavam noutras verdades.
Coitados dos desvalidos da fortuna que bebem na poesia néctares de amor por vizinhos e inimigos. Sabem que a paz é humana e não erguem tal bandeira sobre divinos devaneios. Sofrem certamente mais que os outros.
Mas salvadores de todas as crenças e religiões renascem ano após ano pela voz de acólitos inflexíveis a recordar dogmas que só a fé pode explicar e a renovar a sua voracidade ou estranhos convites ao sacrifício penitente.
 
Onde moram afinal a Alegria e a Solidariedade?
E onde pára esse tão apregoado espírito de Natal?
Em anos anteriores também nada aconteceu de novo.
 
Tantos salvadores e tão pouca Humanidade!
 
                                                    joaquim evónio
         Dez 1999  
 
(In “Sercial & Malvasia”, Joaquim Evónio, Ed. Temas Originais Lda., Coimbra, 2009)
 
 
publicado por appoetas às 16:15

Outubro 23 2009

Andava o meu sapateiro

a namorar uma sovela...

E passava o dia inteiro

apaixonado por ela...

 

Ela não era a sovela,

Tinha olhos de luar,

era tão bela, tão bela

como vela a marear.

 

Ondulava sobre as águas

como sereia singela,

esquecia suas mágoas

ao espreitar à janela!

 

Por ele se apaixonou

Por ele... de corpo inteiro...

E nova canção soou

encantando o mundo inteiro!

                                 

                         joaquim evónio

 

AVIAR BEM E DEPRESSA

 

O Aparício do Canto manejava a sovela como ninguém. Mais parecia um prolongamento da sua mão, tal era a perícia e regularidade com que se atirava à feitura dum par de sapatos. Encantava ver o ritmo do seu trabalho e, quando estava bem disposto, não se calava nem debaixo d 'água.

- "Claro que não fui sempre sapateiro, comecei por trabalhar como servente numa padaria e fartei-me de carregar com talegues de farinha. Um dia, comecei com dores nas costas e nas costelas, que me davam um grande aperto, depois no pescoço, e então lá fui ao médico. Ele disse que não me queria assustar mas que eu tinha uma espondilose crónica na coluna, que estava a pensar em operar-me ao pescoço. Mas eu respondi logo: - “Aqui ninguém toca! E não tocou mesmo!"

- "Perdi o meu pai muito cedo, era um rapaz ainda, mas tudo se cura na vida...'Vai a terra calcando, vai a dor amainando...' Aconselhou-me sempre a não ligar àqueles que diziam 'não tenha pressa... o trabalho não azeda...' "

- "Por isso não estive com mais mas nem meio mas e atirei-me d' alma e coração ao novo ofício, e sempre a trabalhar bem e depressa!"

- "Isso já vem muito de trás, faz parte da minha natureza, sempre fui apressado... Sabe, hoje tenho quase oitenta anos, mas nasci de sete meses, tá a ver? Fazia um calor lá dentro!..."

E lá continua o seu imparável monólogo sem que deixe de manejar a sovela com o virtuosismo que sempre lhe foi reconhecido.

 

Joaquim Evónio

 

(in "Sercial & Malvasia", Ed. Temas Originais, Lda., Set 09)

publicado por appoetas às 13:14

Outubro 23 2009

Ser poeta

é assumir o desassombro

de emprestar o seu ombro

ao fraco contra o forte,

é ser indiferente à sorte

e dialogar com a morte

de igual para igual!...

 

E, no entanto...

É tão fácil matar a poesia:

Basta um grão de filosofia,

maldita expressão esquiva,

obediência lasciva

à geometria do pensamento!

 

Afinal,

ser poeta

é ser flor, fruto, semente,

farol que ensina à gente

o rumo, a rota certa.

 

Sei que amar, sim, é preciso...

Por isso, poeta amigo,

até cortar a meta...

Eu vou navegar contigo!

 

 

joaquim evónio

publicado por appoetas às 13:01

Outubro 07 2009

SER BOMBEIRO

RAÍZES
Bombeiro palavra santa,
não foi dita por ninguém.
Vem da terra como a planta,
como o filho vem da mãe.
PEDAGOGIA
Ser bombeiro é ser poeta
a trabalhar com enxada...
Semear semente certa
na terra mais precisada!
AMOR
É ter granadas no peito
e nos olhos um trovão,
mais um coração perfeito
para amar o seu irmão!
CORAGEM
Ser bombeiro é ter fé
e ser forte, muito forte,
para combater de pé
contra a morte até a morte!
SAUDADE
E aqueles que tombaram
na longa estrada da vida,
grande saudade deixaram,
hoje mais viva e sentida.
UNIVERSALIDADE
Bombeiros do meu país,
Bombeiros de Portugal,
tendes aqui a raiz
mas a alma universal!
                                                                    
                                                                   joaquim evónio
publicado por appoetas às 12:28

Setembro 16 2009

e         

 
 casadamadeira@sapo.pt             www.temas­originais
 


 

 
 temas.originais@gmail.com                                 http://www.temasoriginais.blogspot.com/     

 Desenho da Capa  Bé Cabrita e Prefácio de Luís Dantas

  
 
Casa da Madeira (Restelo) - Rua do Alto do Duque, 5
1400-009 Lisboa
 
Data de lançamento: 25 de Setembro de 2009
Hora do lançamento: 19h 00
O livro será apresentado pelo Dr. José Verdasca (Presidente da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil (ONE)
O Autor será apresentado pelo próprio (há malandrezas que só o próprio é capaz de dizer sem pestanejar)
Estará na Mesa um representante da Direcção da Casa da Madeira
 
Será servido um Madeira de Honra e haverá Estrelícias para todos os presentes.
 
 
 (do meu Fornecedor, Fabricante e Amigo)
 
Artistas convidados: Mário Fonseca (Pavarotti) e Manuel Antunes
  
                Voz e música de Pavarotti                e       Manuel Antunes        
  
 
 
Aspecto exterior da Casa da Madeira
 
 
Seria lindo contar com a presença dos Amigos que não tenham ido comprar as Rendas de Peniche...
 
Estrelícias para Todos:
 
publicado por appoetas às 12:28

Setembro 11 2009

 

publicado por appoetas às 03:17

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
Setembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


links
pesquisar
 
Tags

11 poemas inéditos de carlos cardoso luí(1)

25 anos app(11)

ada tavares(18)

adriano augusto da costa filho(39)

albertino galvão(11)

albina dias(18)

alfredo martins guedes(2)

ana luísa jesus(4)

ana patacho(3)

anete ferreira(3)

antónio boavida pinheiro(22)

app(5)

armindo fernandes cardoso(3)

bento tiago laneiro(5)

carlos cardoso luís(13)

carlos moreira da silva(2)

carmo vasconcelos(22)

catarina malanho semedo(2)

cecília rodrigues(48)

cláudia borges(8)

dia da mãe(8)

dia da mulher(9)

dia do pai(6)

donzília martins(8)

edite gil(68)

elisa claro vicêncio(4)

euclides cavaco(100)

feliciana maria reis(4)

fernando ramos(20)

fernando reis costa(3)

filipe papança(11)

frances de azevedo(2)

gabriel gonçalves(14)

glória marreiros(20)

graça patrão(6)

helena paz(15)

isabel gouveia(3)

jenny lopes(11)

joão baptista coelho(1)

joão coelho dos santos(7)

joao francisco da silva(4)

joaquim carvalho(3)

joaquim evónio(9)

joaquim sustelo(70)

judite da conceição higino(4)

landa machado(1)

liliana josué(45)

lina céu(5)

luis da mota filipe(7)

manuel carreira rocha(4)

margarida silva(2)

maria amélia carvalho e almeida(6)

maria clotilde moreira(3)

maria emília azevedo(5)

maria emília venda(6)

maria fatima mendonça(2)

maria francília pinheiro(3)

maria ivone vairinho(14)

maria jacinta pereira(3)

maria joão brito de sousa(69)

maria josé fraqueza(5)

maria lourdes rosa alves(4)

maria luisa afonso(4)

maria vitória afonso(8)

mário matta e silva(20)

mavilde lobo costa(22)

milu alves(6)

natal(16)

odete nazário(1)

paulo brito e abreu(6)

pinhal dias(9)

rui pais(8)

santos zoio(2)

sao tome(10)

susana custódio(15)

tito olívio(17)

vanda paz(23)

virginia branco(13)

todas as tags

blogs SAPO